Lamento às ruínas do ontem

Vivemos nas ruínas das escolhas do ontem
E com nossas veias vazias sangramos hoje
Sustentando uma energia de quem só foje
Gastando tudo até não restar um vintém

E lamentamos nossas famigeradas perdas
E gritamos, choramos, bradamos ao vento
Esquecendo que nós não fomos atentos,
Que não fugimos, nossas pernas foram lerdas.

Mas vivemos ainda em paz com o presente
Ainda que ele reflita nosso desamor
Ainda que ele somente se perca em nossa mente.

Seguimos nossas falhas débeis rumo ao calor
Queimamos nossa alma, fingimos ser valentes
Quando na verdade só nos resta o torpor.

Imagem gerada por IA (Gemini)

Resposta

  1. Avatar de Carlos

    Talvez não vivamos apenas nas ruínas das escolhas de ontem. Algumas delas viram alicerces, mesmo quando só percebemos isso muito tempo depois. E talvez nossas veias não estejam vazias — talvez carreguem justamente tudo aquilo que sobrevivemos, tudo que ainda pulsa apesar das perdas.

    Nem toda fuga é covardia, assim como nem toda demora significa que fomos lentos. Às vezes simplesmente não sabíamos para onde ir. Julgar quem fomos com a consciência que temos hoje é uma crueldade fácil demais.

    O presente pode refletir nossos erros e desamores, sim, mas também é o único lugar onde ainda podemos escolher diferente. Enquanto existe presente, existe possibilidade.

    E talvez caminhemos em direção ao fogo não apenas para queimarmos a alma, mas porque algumas versões de nós precisam realmente virar cinzas para que outras possam existir.

    Às vezes aquilo que chamamos de torpor é apenas cansaço. E descansar não significa desistir.

    Seu poema olha para as cicatrizes deixadas pelo caminho. Eu talvez prefira olhar para o fato de que, apesar delas, ainda estamos caminhando. Só para cutucar!

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