Quanto custa?

O menino chega na banca de jornal e pergunta, apontando para a barra de chocolate:

– Quanto custa?

– Três reais. – responde o jornaleiro. O garotinho olha para as moedas na mão.

– Tó! – Diz entregando três moedas de cinquenta centavos ao vendedor.

– Aí não tem três reais.

– Tem sim!

– Não. Aí tem um e cinquenta.

– Mas tem três moedas…

– Só que são três moedas de cinquenta centavos, menino. Não sabe fazer conta não?

O menino fica zangado. Aponta para um pacotinho de balas.

– Quanto custa?

– Dois.

O menino fica pensativo.

– Faz por três moedas de cinquenta?

– Não.

– Ah faz, vai…

– O menino, não é não!

O rapazinho abaixa a cabeça e aperta as moedas na mão. Aponta para um outro pacotinho de balas.

– Quanto custa?

O jornaleiro respira fundo.

– Dois e cinquenta.

– Faz mais barato?

– Menino, não! Com um e cinquenta te vendo dez balas dessas aqui. – E aponta com o dedo.

– Nossa, tá caro, né?

– É.

– Vende quinze?

– Não. Vendo dez.

– Mas tá muito caro. O que mais você vende?

O jornaleiro dá o troco a uma senhora que pagava por sua revista e em seguida diz:

– Que dá para você comprar com essas moedas?

– Claro, né?

Olhando bravo, o jornaleiro diz:

– Só as balas.

– Mas… só aquelas? – E aponta.

– Sim. dez delas. Vai querer?

– Faz doze?

– Dez, menino.

O menino para e pensa. Vê então o pacotinho de figurinhas do brasileirão. Aponta.

– Quanto custa?

– Dois e cinquenta moleque.

– Não dá pra levar um pacotinho, né?

– Não menino, não dá.

O menino pensa novamente, olha as balas… Olha as figurinhas e tem uma ideia.

– O senhor me empresta um real?

– Mas menino, claro que não!

Abaixa a cabeça novamente. Fica pensando. Olha novamente para a barrinha de chocolate. Aponta.

– Quanto custa mesmo?

O jornaleiro respira fundo.

– Três reais, moleque.

O menino olha as moedas, sacode os bolsos, mas nada…

– Posso ficar devendo?

– Não.

– E por que?

– Não faço fiado.

O menino dá de ombros. Mostra a mão com as moedas para o jornaleiro.

– Tó.

– Vai levar as balas?

– Vou.

O jornaleiro separa dez balas no balcão.

– Pode pegar.

O menino pega cinco em uma mão e cinco em outra.

– Obrigado. – O menino diz e sai da banca. Na frente está um menino, de rua. Pedinte.

– Dá uma bala aí. – Ele diz para o menino. Ele olha para uma mão, olha para outra e aponta com uma mão para o menino de rua.

– Tó.

Abre a mão e solta as balas na mão do menino. Guarda as outras no bolso e sai andando para um lado. O menino de rua pega uma para chupar e guarda as outras.

– Valeu mano!

O jornaleiro sorri e guarda as moedas.

Créditos da Imagem: CandyFavorites.com
Publicado originalmente em 04/06/2016

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