Ansiedade

“pã-pã-pã-pã-Pã-Pã-PÃ-PÃ-PÃ-PÃ-PÃÃ-PÃÃ-PÃÃÃ-PÃÃÃÃ-PÃ…”

“PACK”

Carlos bateu forte no despertador. “Cinco e quarenta e quatro”, pensou ele… Levantou apressado. “Primeiro dia no trampo novo!” Havia ficado quase quatro meses desempregado e ia começar hoje. mal podia acreditar. Era programador “Boa área, bons salários”, lhe haviam dito… Mas para seu azar, tudo correu errado na sua vida. Os gêmeos vieram e ele teve que correr de projeto em projeto, emprego em emprego. Na última empresa parecia que ia tudo bem, até que veio a crise. Foi mandado embora logo na primeira leva. Se consolou quando soube que outros companheiros também saíram. Mas agora, quatro meses depois, teve que aceitar um trabalho como analista programador júnior, reduzindo quase pela metade o salário da última empresa. E hoje era o grande dia. Entrou no banho correndo, pensando em tudo isso. Escovou os dentes, se vestiu. Camisa surrada, calça jeans e sapatenis.

Desceu e terminou de caminhar. O dia apenas amanhecia, mas ele nem notou. Chegou até o prédio do escritório e olhou o relógio: seis horas. Achou muito estranho. Deveria chegar às sete… conferiu o relógio de pulso: sete horas. Foi até a portaria. Somente o segurança no local. Perguntou as horas por conferir e ele disse: “cinco e cinquenta e oito.” Abismado, Carlos disse: “Como assim? Seu relógio deve estar errado…” E o segurança, com um sorriso no rosto, respondeu: “Impossível! Acabei de ajustar para o horário de verão…” Então, Carlos entendeu tudo… Saiu e foi até uma padaria que estava abrindo. Pediu uma média e um pão na chapa e se sentou numa mesinha livre para tomar café, rindo à toa e ajustando o relógio.

…Começou a ouvir, então um barulho… O movimento da padaria… Piscou uma, duas vezes e despertou. Havia cochilado! Eram sete e vinte e cinco e uma fila grande para pagar a conta. Pagou e correu. Chegou no prédio novamente às sete e quarenta, atrasado e com cara de sono. Ao chegar, o mesmo segurança… e mais ninguém! “Senhor… tudo bem?”, perguntou o segurança para Carlos que, apressando-se, disse: “Venho para a empresa Katnos, quinto piso, e…”, o segurança começou a rir e lhe disse: “Volte amanhã, senhor”. Carlos ficou estupefato. Como assim voltar amanhã. Foi ficando vermelho de raiva e já ia xingar o segurança quando seu celular tocou. Levantou a mão para o segurança em sinal de “espere” e atendeu, pois viu que era sua esposa. “Alô, amor, to com um problema aqui no escritório e…”, mas foi interrompido pela esposa do outro lado: “Amor, como assim escritório? Acordei e achei que você tinha ido comprar pão…” Ele já estava ficando doido. “Amor… eu vim trabalhar e tem algo muito estranho aqui…” A esposa respirou fundo e começou a rir, fazendo com que ele ficasse mais nervoso. Ia começar a gritar de vez, estava prestes a explodir, quando ela disse baixinho, o mais carinhoso que podia: “Amorzinho. Hoje é Domingo! Quando estiver voltando, passa na padaria e traz pão, ok? Beijos…”

Carlos pediu desculpas ao segurança que não se aguentava de rir e na volta passou na padaria e tomou o ônibus para casa…

Créditos da Imagem: Formularium
Publicado originalmente em 23/02/2016

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